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Robótica Assistiva para Idosos no Japão

O uso da robótica como extensão da dignidade humana em sociedades envelhecidas.

Visual Concept

Robótica Assistiva para Idosos no Japão

O uso da robótica como extensão da dignidade humana em sociedades envelhecidas.

Categoria
Publicação
Ano
Blog HxA
Fonte
HxA

Síntese editorial

O portal HxA debruçou-se sobre a matéria em foco, com vistas a analisar o conteúdo e a forma de apresentação da notícia, sob o aspecto do que é real e existe de fato para o que é projeto e encontra-se no nível das vontades, dos desejos, do plano de tratar bem as pessoas que sofrem por uma realidade social vivida não apenas no Japão.

De antemão nota-se um propósito ufanista para querer apresentar a tecnologia futurista como se já estivesse disponível hoje, o que não tem respaldo na realidade. A matéria apresentada foi produzida por CPG Click Petróleo e Gás, e se utiliza de algumas fotos extraídas de um vídeo (sem apresentá-lo) com um robô virando um paciente na cama, noutra foto o robô está levantando da cama e numa outra foto inicial, o robô tenta levantar pacientes de cadeiras de hospitais.

No curso da matéria, o leitor é obrigado a se esgueirar entre o conteúdo ofertado e mais 14 anúncios publicitários, que faz com que o propósito seja completamente focado em marketing e não em bem informar o leitor sobre o conteúdo. Não bastasse isso, o leitor é insistentemente provocado a aceitar o anuncio do portal, sob pena de não seguir lendo a matéria.

O site que oferece a matéria diz o que fazem, em sua seção “quem somos”, onde consignam que “A família CPG é formada por profissionais qualificados e comprometidos que trabalham todos os dias focados em reunír conteúdos de extrema qualidade, confiáveis e atualizados, a fim de manter o leitor a par de tudo que está acontecendo no Brasil e no Mundo. “

Seguindo na matéria, o site oferece imagens outras para além do tema título, como por exemplo um outro robô industrial pegando peças e colocando em caixas numa linha de montagem industrial, claramente operado por uma funcionária em IHM, sem correlação com o tema. Mais adiante a reportagem mostra uma foto com duas idosas numa instituição e uma cuidadora sentada com a mão na cabeça, um quadro na parede informando escassez de cuidadores – numa imagem claramente criada por IA até mesmo com o logo do Google Gemini.

Este tipo de reportagem é bem comum na internet e redes sociais, onde os narradores embarcam numa lógica de empolgação e trazem o futuro distante para hoje, que faz com que os leitores tenham dois tipos de reação na maioria dos casos: 1ª) ficam extremamente otimistas já que a solução para um problema crônico chegou. 2.a) Ficam alarmados sobre a iminente substituição dos humanos pelas máquinas, com todos os riscos de segurança e consequências sociais que disto decorre. Enfim, a tecnofobia vai sendo aflorada nas pessoas, seja pelo bem seja pelo mal.

Cabe ao site humanos versus androides, atuar como agente de realidade e bálsamos de sensatez, colocando as coisas e tecnologia atual, no seu exato ponto de realidade, também seja pelo bem, ou seja, pelo mal. Não estamos tão avançados assim, infelizmente para alguns humanos, felizmente para outros humanos.

Ao buscarmos nas fontes os vídeos que ensejaram a matéria (que não os mostrou), notamos que foram produzidos pela Faculdade de Engenharia e Ciências da Universidade Waseda no Japão, onde narra seu projeto (importante frisar que é apenas um projeto) sem equipamento existente, sem entregas, sem uso atual e sem produção em escala (pois universidades não fazem isto mas sim as indústrias após certeza de demanda). Os vídeos divulgados são limpos, perfeitos, com evidências de uso de IA, que apresentam robôs estacionários, ou sejam, robôs que não possuem pernas e mobilidade, sem que alguém (humanos) os carreguem até os postos de trabalho, seja ao lado da cama, seja na cozinha do paciente. Os robôs, que mal podem ser chamados de humanóides pois raramente lembram os humanos e, portanto, mais distantes ainda de serem classificados como androides, certamente teriam avaliação muito baixa em seu Fator Silva (FS), mostram rótulas de joelhos e quadris com apenas um grau de liberdade (vertical), ou seja, sem possibilidade de giro horizontal para atendimento nas laterais. Possuem mãos desproporcionais da escala humana, com duas câmeras na cabeça para simular a simpatia dos dois olhos humanos (ainda que uma única câmera o permitisse a visualização do ambiente).

A cabeça possui também um outro dispositivo simulando um nariz (sem função informada) além de um display na testa, que possa melhorar a simulação de um rosto humano, mas sem funções explicitas de aplicação. O protótipo possui uma carenagem branca e lisa, notadamente de material plástico ou PVC cuja fabricação por moldagem ou estampagem indica um processo industrial extremamente oneroso, para a produção de poucas peças, que dirá uma peça apenas. Por todas estas avaliações preliminares, pode-se depreender que o filme é feito por inteligência artificial e os robôs seguem no nível de projeto, sem existência real.

Resumindo, o setor de engenharia da universidade informa que possui um setor de projetos que pretende até 2050 seguir neste projeto; divulga um vídeo produzido por IA sobre este projeto; a CNN e outras redes de notícias fazem menção ao projeto com certa reserva e a partir daí as redes sociais e outros jornalistas e entusiastas começam a praticar desenfreadamente a lógica da empolgação e assim, seguimos estressando os nossos pobres humanos com o novo vírus da tecnofobia, bem ativo e crescente em nossos dias atuais.

Maiores detalhes em: https://airec-waseda.jp/en/toppage_en/

Aqui: https://www.waseda.jp/fsci/en/ e também aqui: https://www.sugano.mech.waseda.ac.jp/en/news/20251207-1137/

O uso da IA, da engenharia aplicada, das novas tecnologias disponíveis hoje, é lindo, emocionante, auspicioso e constatado diariamente em nossa melhor qualidade de vida em comparação a vinte ou trinta anos atrás. No entanto não precisamos de empolgação para termos a sensação de que estamos melhor na qualidade de vida do que fato estamos. Da mesma forma, não podemos simular existência de tecnologia entregue, para justificar aportes de recursos ou investimentos instituições, onde de fato não existe realidade.

Seguiremos por aqui, separando o joio do trigo neste mundo ávido por avanço e tecnologia, sobretudo quando se referindo a robôs, humanoides, androides e por que não os humanos neste contexto.

O HxA não apenas observa a tecnologia. Ele interpreta o impacto humano, ético e filosófico que surge quando máquinas passam a ocupar espaços antes reservados às pessoas.

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