Perfil 01
Mara Gabrilli
Publicitária, psicóloga e ativista
CF
0,1529
CI
0,2313
CS
0,2271
CE
0,2199
FS
0,8312
MARA GABRILLI a) Mini Biografia Mara Gabrilli é publicitária, psicóloga e uma das mais importantes ativistas brasileiras na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Tornou-se tetraplégica após um grave acidente automobilístico ocorrido na Serra de Caraguatatuba na década de 1990. Apesar das limitações físicas impostas pelo acidente, construiu uma trajetória pública marcada pela defesa da cidadania, da inclusão e da acessibilidade. Atuou como colunista da Revista TPM e posteriormente ingressou na vida pública, exercendo cargos de destaque como Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo, Vereadora, Deputada Federal e posteriormente Senadora da República. Sua atuação política e social transformou-se em referência nacional na defesa da dignidade humana e dos direitos das pessoas com deficiência. b) Depoimento da Entrevista Tive a honra e a satisfação de entrevistar Mara Gabrilli por ocasião do fechamento da primeira edição do meu livro Humanos Versus Androides, em 2002. Naquele momento ela era colunista da Revista TPM e discorria com muita facilidade e objetividade sobre temas variados, como cidadania, política, sexualidade e sobretudo acessibilidade. Chamou-me a atenção sua condição de tetraplegia após o grave acidente automobilístico na Serra de Caraguatatuba, e principalmente sua impressionante garra em manter uma vida extremamente ativa. Ali estava um ser humano singular, cuja história me permitiria demonstrar uma das teses centrais do Fator Silva: mesmo quando circunstâncias extremas limitam severamente as capacidades físicas de uma pessoa, isso de forma alguma diminui sua grandeza humana — e, muitas vezes, pode até revelar novas dimensões dessa humanidade. Durante um passeio seguido de um almoço muito agradável, Mara permitiu que eu conhecesse e até mesmo pilotasse o equipamento com o qual se locomovia: uma sofisticada cadeira motorizada que lhe permitia inclusive elevar-se à posição vertical, possibilitando conversar de pé com seus interlocutores. Foi uma experiência profundamente marcante. Aprendi com ela a posicionar seus braços da forma mais confortável para nossa conversa e tive a oportunidade de lhe servir o café que desfrutamos naquele encontro. Em poucas horas de convivência, aprende-se muito sobre o valor das coisas mais simples do cotidiano. A emoção daquele encontro atingiu seu ponto mais profundo quando Mara, serenamente, me fez um pedido que jamais esquecerei: “Carlos, já que você é um engenheiro mecatrônico, que tal projetar um exoesqueleto robótico com inteligência artificial para mim, de forma que eu pudesse, por comando de voz, movimentar braços, pernas, mãos e dedos, e assim conquistar um pouco mais de autonomia?” Essas palavras atravessaram meu coração de forma definitiva. Naquele instante, a tarefa simples de ajudá-la a levar a xícara de café até a boca tornou-se uma experiência profundamente humana e inesquecível. É frustrante perceber que, apesar de tantas narrativas entusiasmadas sobre avanços tecnológicos, muitas das soluções capazes de transformar a vida de pessoas como Mara ainda avançam mais lentamente do que gostaríamos. Anos depois, em 2014, durante a abertura da Copa do Mundo realizada no Brasil, o professor Miguel Nicolelis apresentou um exoesqueleto desenvolvido por uma equipe internacional com mais de cem pesquisadores. Foi um avanço extraordinário, ainda que distante de atender plenamente aos desejos de autonomia que ouvi naquele almoço de 2002. Enquanto isso, a humanidade continua investindo recursos gigantescos em armamentos destinados à destruição, quando poderia direcionar muito mais esforço para tecnologias que ampliem a dignidade humana. A lógica humana, às vezes, não é para amadores. Desde aquele encontro, acompanhei com grande emoção a trajetória pública de Mara Gabrilli. Com orgulho, torcida e até votos, vi aquela mulher extraordinária tornar-se Secretária Municipal, Vereadora, Deputada Federal e, finalmente, Senadora da República. Mara tornou-se grande cidadã do Brasil e inspira inúmeros seres humanos a enfrentar suas adversidades com elegância, força e propósito. Ela tornou-se uma cidadã exemplar e uma inspiração para todos que enfrentam adversidades. Minha conclusão pessoal: o que o destino retirou do Coeficiente Físico (CF) da Mara Gabrilli, devolveu em dobro nos Coeficientes Sentimental (CS), Intelectual (CI) e Espiritual (CE). Eis o equilíbrio que, muitas vezes, os desígnios do além nos oferecem. Avante, Mara Gabrilli! c) Tabela Oficial do Fator Silva (FS) (Baseada nos dados registrados por você em 2002 — planilha Humans & FSs.xlsx) [Humans and FSs | Excel] Coeficiente Valor CF – Coeficiente Físico 0,1529 CI – Coeficiente Intelectual 0,2313 CS – Coeficiente Sentimental 0,2271 CE – Coeficiente Espiritual 0,2199 FS – Fator Silva (Global) 0,8312 Forma d) Interpretação no âmbito do Fator Silva O resultado obtido na avaliação de Mara Gabrilli ilustra de forma clara uma das hipóteses fundamentais do Fator Silva: a humanidade não pode ser compreendida apenas por suas capacidades físicas. Embora o Coeficiente Físico tenha sido drasticamente afetado pelas consequências do acidente que resultou em sua tetraplegia, os demais coeficientes revelam um conjunto extremamente elevado de qualidades humanas. Destacam-se particularmente: forte capacidade intelectual grande sensibilidade humana elevado senso de propósito e espiritualidade O resultado final demonstra que a limitação física não impede a manifestação de uma humanidade rica e influente. Pelo contrário, muitas vezes as adversidades revelam dimensões profundas da força interior de um indivíduo. Forma e) Destaques Humanos A trajetória de Mara Gabrilli oferece importantes reflexões no contexto do projeto Humanos versus Androides: • Limitações físicas não definem a totalidade da experiência humana. • O equilíbrio entre dimensões intelectual, sentimental e espiritual pode revelar extraordinária capacidade de superação. • A tecnologia possui enorme potencial para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência, reforçando a importância da engenharia a serviço da dignidade humana. • A verdadeira grandeza humana frequentemente se manifesta justamente diante das maiores adversidades. Forma f) Fotos do encontro (Seção reservada para o acervo fotográfico do autor.) MARA GABRILLI Tive a honra e a satisfação de entrevistar Mara Gabrilli por ocasião do fechamento da primeira edição do meu livro Humanos Versus Androides em 2002. Naquele momento ela era colunista da Revista TPM e discorria com muita facilidade e objetividade sobre os temas os mais variados, dentre cidadania, política, sexualidade e sobretudo acessibilidade. Me chamou a atenção a sua condição de tetraplegia após grave acidente de automóvel na serra de Caraguatatuba, e sua garra em manter uma vida muito ativa como uma verdadeira guerreira. Ali estava um ser humano interessante, onde eu poderia demonstrar a minha tese do fator Silva, onde mesmo os mais graves motivos que fazem com que humanos percam suas atividades comuns, por óbvio não os faz deixar de ser humanos admiráveis, e a boa surpresa foi a demonstração da entrevistada em ensinar que podemos ser mesmo é até melhores. Com um passeio e almoço muito agradável onde ela me permitiu pilotar o equipamento com o qual se movia, uma cadeira interessante que a permitia até mesmo ficar na posição vertical (de pé) e conversar de pé com seu interlocutor, de forma confortável. Aprendi e me emocionei em posicionar os braços na posição mais charmosa que ela se sentia confortável para nossa conversa, e até mesmo lhe servir o café saboroso que desfrutamos. Aprende-se muito sobre o valor das coisas mais comezinhas de nosso dia a dia, com o simples convívio de algumas horas com Mara Gabrilli. A emoção não para por aí, pois como não se emocionar ao ouvir Mara Gabrilli me pedir serenamente: “Carlos, já que você é um engenheiro mecatrônico, que tal projetar um exoesqueleto robótico, com inteligência artificial para mim, de maneira que eu apenas por comando de voz, pudesse acionar meus braços e pernas, mãos e dedos, e enfim obter um pouco mais de autonomia”. Essas palavras me cruzaram o coração de maneira tão marcante, que jamais poderei esquecer na minha vida. Para acertar colocar a xícara de café na boca daquela linda mulher depois de um pedido profundo, honesto, pertinente e inalcançável foi uma experiência inesquecível. É frustrante ver tantas mensagens efusivas do avanço da ciência e da engenharia, de conquistas tecnológicas, de afãs narrativos, de projeções entusiasmadas que não se confirmam na velocidade esperada por seus emitentes tendo como contraponto a vontade enorme de projetar um exoesqueleto para a grande amiga que eu acabava de conhecer. Tempos depois, em 2014, na copa do mundo que aconteceu no Brasil, o professor Miguel Nicolelis, apresentou o resultado de mais de 100 pesquisadores com louvável avanço no sentido de atender ao pedido que ouvi da Mara, porém, ainda estamos aquém de atender com maestria seres humanos tão necessitados desta tecnologia e enquanto isso, é duro constatar que queimamos investimentos em armamentos com orçamentos muito superiores, buscando destruir seres humanos, ao invés de ajudar seres humanos. A lógica humana não é pra amadores. De lá para cá, acompanhei com emoção, torcida, e orgulho (e também votos) a carreira de sucesso da Mara Gabrilli, atuando como secretária municipal, vereadora, deputada federal e vejam vocês, senadora da república. Ela se tornou uma grande cidadã ao nosso país, de maneira que inspira muitos seres humanos a lutarem diante de adversidades. Minha conclusão pessoal é que o que destino retirou de forma abrupta do Coeficiente Físico (CF) da Mara Gabrilli, lhe deu em dobro nos Coeficientes Sentimental (CS), Coeficiente Intelectual (CI) e sobretudo no Coeficiente Espiritual (CE). Enfim, o equilíbrio que os desígnios do além nos propicia é algo em que precisamos refletir e aprende muito. Avante Mara Gabrilli !